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otidiano

Equilíbrio

Doenças psicológicas afetam crianças e jovens

17 Maio 2018 10:54:11

Especialista fala sobre os casos de transtornos do neurodesenvolvimento

Foto: Psicóloga Ariane Regis fala sobre o tema

INDAIAL - As dificuldades emocionais e falta de capacidade de organização do tempo está atingindo em cheio as crianças e adolescentes. O número de casos de transtornos do neurodesenvolvimento vem crescendo e acendem um alerta para que se olhe com mais atenção para o comportamento dos jovens. A psicóloga Ariane Regis explica que hiperatividade, déficit de atenção, deficiência intelectual, e os transtornos do espectro autista, de aprendizagem, de linguagem, do movimento estereotipado, opositor desafiante, de conduta e explosivo intermitente são os mais frequentes. De acordo com Ariane, um conjunto de fatores é apontado como causador destas doenças.   

O transtorno com o qual a psicóloga mais lida em seu consultório é o de déficit de atenção/hiperatividade. O interessante neste caso é que grande parte das pessoas associa a crianças demasiadamente agitadas, mas ele também se caracteriza pela oposto, ou seja, crianças que ficam muito quietas, distraídas e quem têm dificuldades para se concentrar. Ariane salienta que grande parte do tratamento não diz respeito somente às crianças ou adolescentes, mas também aos pais. "Em muitos dos casos o tratamento necessário é uma mudança na rotina. Trata-se de crianças que estão muito sós ou demasiadamente na frente do computador, por exemplo. Então, é necessário que haja um equilíbrio, que outras atividades sejam inclusas na rotina delas".  

Equilíbrio

A psicóloga ressalta que crianças e jovens precisam de rotina, de regras claras sobre o certo e o errado, mas também necessitam de uma educação multidisciplinar e, sobretudo, de exemplo. "As crianças admiram muito os adultos, então imitam os comportamentos deles. Por este motivo os pais precisam estar inseridos nas atividades dos filhos e, sobretudo, ser o exemplo deles". Ela cita, por exemplo, a desaceleração da rotina caótica. "Já acorda estressado, tomando café às pressas, correndo com tudo. Isso acaba passando para a criança. Talvez seja bom tentar acordar um pouco mais cedo, tomar café em família com calma. Não é um tempo que se perde, mas sim, um tempo que se ganha. Muito mais saudável dormir mais cedo para acordar antes, do que dormir muito tarde.", exemplifica.  

Segundo Ariane, grande parte do papel do psicólogo nestes casos é a orientação emocional e comportamental. "Talvez o pai e a mãe não consigam brincar com a criança todos os dias, mas é importante que haja um momento na semana em que isso seja prioridade. Também é importante que atividades culturais estejam inseridas neste contexto, com ida a museus, teatros, música clássica, bons livros e assim por diante. Quanto mais saberes fizerem parte do desenvolvimento das crianças e jovens, melhor. Assim é possível desenvolver o entendimento do respeito pelas multidisciplinariedades, matemática é tão importante quanto filosofia e assim por diante". Para Ariane, o problema principal não é a falta de atenção ou interesse na vida dos filhos, mas sim a administração do tempo e do stress.

TOC

Outro doença que tem atingido as crianças é o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Este se caracteriza como um transtorno de ansiedade e, infelizmente, é muito presente nos casos atendidos por psicólogos. "O principal sinal é quando a criança tem a mente invadida por pensamentos ruins e não consegue se livrar daquilo. Então, pode ser que ela guarde para ela e fique remoendo aquele pensamento ou ela precisa adotar comportamentos compulsivos. O importante é notar que o TOC começa antes deste comportamento em si".  

Para todas as patologias comentadas nesta reportagem, Ariane ressalta que há tratamento. "A sociedade está mais aberta e sensível aos problemas que atingem os jovens. Assim também entendeu o papel do psicólogo e a importância de tratar esses distúrbios o quanto antes para que a criança ou jovem tenha uma qualidade de vida melhor".



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