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otidiano

Impactos psicológicos pós-pandemia

Profissional de psicologia detalha o momento que está se vivendo e as possíveis consequências

Clarice Graupe Daronco / JMV
Foto: Divulgação

TIMBÓ - "Muitos tem questionado sobre os impactos psicológicos pós- -pandemia, ou seja, o que nos reserva após a pandemia do Coronavírus. Mesmo buscando um maior conhecimento do tema através de leitura de artigos ou ouvindo "lives" de especialistas em diversas áreas, sempre tendo como foco o campo psicológico (os comportamentos, as emoções e pensamentos e os transtornos mentais), ainda assim percebi que não se tem um direcionamento certo para qual caminho a humanidade vai seguir, ou quais os resultados desses tempos complicados que estamos vivendo".

As colocações são da profissional em psicologia, Katy Christine Bremer. Segundo ela, "há várias tendências que poderemos viver e, acredito que querendo ou não, as mudanças na forma de viver a vida vão ocorrer, tanto nos relacionamentos sociais, como na economia, na saúde, na forma de trabalhar e até mesmo de estudar, nos comportamentos em geral. Com certeza, haverá uma diminuição do ritmo frenético de viver a vida, de ter multitarefas e de desempenho, de ganhar mais tempo e dinheiro e das futilidades".

A profissional observa que alguns ensaios foram sendo realizados durante o percurso da pandemia, desde seu início na China, até chegar no Brasil, no trabalho e na Educação, por exemplo, como trabalhos remotos e Educação online possivelmente vão se tornar mais frequentes. "Assim como, atendimentos online na Saúde também tem a tendência de se tornarem mais comuns, segundo alguns autores".

De acordo com Katy, se buscarmos na história da humanidade o que ocorreu após crises passadas, como em outras pandemias, desastres naturais ou criadas pelo ser humano, como crises financeiras e as guerras, em todas elas a humanidade teve que se refazer, e construir um mundo novo, com muitas perdas e muitas mudanças, os comportamentos humanos também mudaram com a crise.

"As mudanças que virão não vêm do nada, segundo alguns autores, mas sim são mudanças que já vinham se desenhando e ocorrendo na sociedade e a pandemia seria considerada um acelerador para essas transformações. Exemplo de algumas tendências: digitalização ou mundo online (tudo vai ser mais digitalizado); mais solidariedade entre as pessoas, a valorização dos pequenos gestos (um abraço, uma mensagem, reunião entre amigos); os hábitos de consumo exagerado tendem a diminuir; as empresas vão ter que se reinventar, as compras vão ser mais por necessidade e menos por consumo sem sentido; mais acessibilidade aos conhecimentos para se reinventar tanto na quarentena, como tendência a um novo trabalho; nova visão da saúde como fonte de desejo, cuidado com a higiene e da vida saudável e mais natural; tendência aos trabalhos remotos como nova modalidade de trabalho. Podemos dizer que será uma nova vida normal após a pandemia, espera-se que tenha mais valor o momento presente".


Saúde mental

No campo da Saúde, observa a psicóloga, muitas mudanças serão necessárias para minimizar a contaminação, novos hábitos de higiene pessoal (lavar as mãos e uso de máscaras vão ser frequentes e essenciais) e evitar a aglomeração em todos os ambientes sociais e do trabalho.

Na saúde mental, explica Katy, segundo o doutor Neury Botega, psiquiatra, esse momento pandêmico está ocasionando muitos impactos psicológicos. "Ele argumenta que a crise externa afeta a crise pessoal, em termos emocionais. O isolamento no início teve seu lado bom, mas ao passar do tempo tornou-se um enovelado nas relações familiares. Retorno das ansiedades e novos casos de ansiedade estão ocorrendo. Nos casais, muitos desentendimentos até o seu rompimento, crianças e adolescentes demandando o tempo todo, além do "home office" na rotina familiar, todos sendo afetados. Outros, vivenciam o luto com a perda de um ente familiar causando muitos conflitos e revolta interna. Sem dúvida, um problema externo afetando o meu mundo interno e íntimo e causando inúmeros problemas, pois a quarentena não termina, o medo de ser contaminado vivido diariamente, percebe-se que todos estão exaustos e sem controle e alguns já estão desenvolvendo transtornos mentais por conta disso".

A profissional destaca que estudos apontam que já tem muita gente que necessita de atendimento psiquiátrico e psicológico nessa pandemia, muita gente com depressão, com perdas reais e de sonhos, de rompimentos; alcoolismo; reações de lutos prolongados e dolorosos devido às perdas, sem poder vivenciar os momentos de velórios; os transtornos de estresse pós-traumáticos (TEPT) devido aos momentos traumáticos vividos dos profissionais de Saúde, dos lutos mal-elaborados; também podem aumentar os suicídios; muitos idosos também apresentam dificuldades por conta do isolamento e da solidão, do desamparo dos familiares e da sociedade.

"Sem contar, todos os transtornos mentais sem tratamento ou interrompidos nesse período que existiam antes da pandemia. Enfim, esse é um momento muito delicado e potencialmente criativo para resolverem algumas questões de isolamento, de distanciamento social e até de ajuda. Sem dúvida, a responsabilidade e as consequências para nosso futuro dependem de cada pessoa, de cada ação assertiva, e da manutenção da estabilidade da saúde física e mental. Falar sobre o que vai acontecer na pós- -pandemia não deixa de ser uma previsão do futuro".



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