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Literatura

'A primeira vez que o Betão morreu' revela alma cultural do Vale

07 Junho 2018 14:48:43

Obra literária de Werner Neuert e Rubens Airton Schütz foi lançada na noite de quarta-feira

Foto: Janaina Possamai

INDAIAL - "Ubirajara e Biratam foram ao necrotério reconhecer o corpo. Magro, alto, os cabelos castanhos, rosto comprido - com hematomas e escoriações - e as tatuagens no braço. Era o Betão. Não tinham dúvidas. Além de amigos eram irmão e primo, eles o conheciam muito bem. Que tragédia! De moto, à noite, na BR 470 e sem capacete. O Betão era meio maluco. Admitamos: bem maluco! Gente fina, um cara legal, apesar de... Não vem ao caso, agora. Mas era maluco". Assim inicia o causo que dá nome ao livro escrito por Werner Neuert e Rubens Airton Schütz: A primeira vez que Betão morreu.

A história do inusitado velório de Betão, que em certos pontos parece uma estória (quem quiser saber como termina, terá que ler o livro, afinal, não estragaremos o desfecho), faz parte das 110 anedotas que compõe a obra, escrita a quatro mãos e que, após a morte de Rubens em 2015, foi completada por Werner e revela também uma espécie de homenagem ao amigo.  

Lançado oficialmente na noite de quarta-feira, dia 6, nasceu da insistência de Werner para que a coleção de histórias contidas na mente de Rubens fosse transportada para o papel. Cedendo à ideia, ele solicitou a parceria do amigo. Porém, em 2015, cometido por uma cardiopatia, Rubens faleceu. Na época, havia escrito 14 histórias e anotado tópicos sobre outras 16. "Eu não sabia muito bem o que fazer, se deixaria o projeto de lado ou não. No entanto, pouco tempo depois me encontrei com a Arlete Schütz, esposa dele, e ela me encorajou para seguir em frente e concluir o livro, que seria uma homenagem a ele", conta Werner.

Assim o foi, Werner escreveu o restante das histórias elencadas por Rubens, além de compilar e redigir muitas outras. A coleção destes causos tornou-se uma obra que celebra e revela inúmeros aspectos culturais da região do Médio Vale. "Todas estas histórias são verídicas, é claro, em alguns casos, há um tempero de ficção para encorpá-las, mas são causos reais", explica o autor. Para ele, a grande beleza das anedotas está no fato de que elas ocorrem às margens dos grandes acontecimentos, geralmente os mais registrados pela história, mas guardam em si a capacidade de revelar como poucos gêneros literários, a alma cultural de uma região. "O subtítulo da obra é Anedotário do Vale, há históricos de Timbó, Indaial, Pomerode, Rio dos Cedros, Rodeio e outros cantinhos da nossa região".

Werner

Werner é advogado e autor das obras "O ofício de Matar Bois", "A terra estava vazia e vaga" e "Ofício divino". Além disso, possui contos publicados em antologias compiladas pela UFSC; além de artigos, crônicas e contos no Jornal A Ponte, Jornal do Médio Vale, Jornal de Santa Catarina, Jornal A Notícia, Revista Blumenau em Cadernos e Revista de Divulgação Cultural da Furb, além de textos na Revista Indaial Conhecendo sua História. 

A relação próxima com a literatura começou cedo, por incentivo do pai que cobrava bom desempenho em Língua Portuguesa. O primeiro prêmio em um concurso literário veio aos 14 anos, com uma poesia. "Na verdade, me considero muito mais leitor do que escritor. Me dedico à leitura aproximadamente quatro horas por dia", conta.

Um dos grandes xodós de Werner é a biblioteca com sete mil volumes que possui. "Já disse aos meus filhos que não quero que os obras sejam divididas nem após a minha morte", brinca.

Além disso, foi chefe de Gabinete da Prefeitura de Indaial e faz questão de deixar claro que logo será avô e é um torcedor inveterado do Avaí Futebol Clube.

Rubens

Rubens Airton Schütz nasceu em Timbó, em 30 de julho de 1953. Foi colunista de jornais do Médio Vale do Itajaí, chefe de Gabinete e assessor de imprensa da Prefeitura de Indaial. Sua última atividade profissional foi na função de assessor de comunicação da Câmara de Vereadores de Indaial.

Para o segundo volume

Werner faz questão de disponibilizar um endereço de e-mail: wernerneuert@gmail.com. "Sempre que convidava alguém para a noite de autógrafos ou falava do livro, surgiam outras histórias para registrar. Por isso, quem tiver um causo, fique à vontade para enviar por e-mail, assim, teremos material para um possível segundo volume.  


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