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Emoção

A dama das vitórias-régias

21 Março 2018 16:13:00

Idáuria Nasato fala sobre os grandes feitos dela e do marido para a cidade de Indaial

Foto: Janaina Possamai

INDAIAL - Conta a história que durante uma breve passagem por Indaial Valdemiro Nasato apaixonou-se pela cidade e para aquelas bandas resolveu mudar-se. Não é possível dizer que os registros estão errados, mas talvez imprecisos, Nasato amou Indaial por grande parte de sua vida e isto é fato, mas seu primeiro e grande amor na "Terra Indaiá" foi Idáuria. Por ela, aqui veio morar e ao lado dela, entrou para o hall dos grandes homens de seu tempo.

Para quem ainda possa não saber, foi Valdemiro Nasato que, ao longo de quase oito anos, desenvolveu um trabalho incansável ao lado do mestre e amigo padre Raulino Reitz para aclimatar a vitória-régia, típica da Amazônia, em Indaial. Mais tarde, a planta viria a se tornar um dos grandes símbolos da cidade.

A empreitada da dupla de botânicos é admirável, o amor e respeito entre Nasato e Idáuria ainda mais. Antes de conhecer o marido ela trabalhava em um escritório e não tinha quase nenhuma intimidade com as plantas, após o casamento tudo mudou. "Troquei a noite pelo dia", conta sorrindo.

Idáuria era mais do que a companheira de Valdemiro, era sua parceira nos negócios. Com grande habilidade executava, durante muito tempo, os projetos do reconhecido paisagista Burle Marx. O papel do casal era o do embelezar a cidade que, de forma voluntária, colaborou para transformar a paisagem de Indaial. O trabalho de Valdemiro foi muito além das vitórias-régias, ele também aclimatou diversas outras espécies para a região, como as tâmaras egípcias que enfeitam uma das vias da cidade.

Algo que entristece Idáuria é que muitos desses trabalhos realizados pelo casal foram , mais tarde, desprestigiados por alguns administradores, que resolveram pôr fim ao que já estava erguido. "Muitas vezes não se sabe o valor do que está sendo destruído", pontua.

O sucesso após anos de angústia

Ao lado do marido durante todo o processo de aclimatação, ela conta que foram anos de angústia. "Nossos invernos eram extremamente frios, era preciso aquecimento para manter as plantas vivas. No primeiro ano esse sistema era composto por um sistema antiquado formado por latões, lá pelas duas da madrugada ele jogava um cobertor sobre os ombros e ia para a noite gelada se certificar de que tudo estava funcionando", relembra. Apesar do esforço, sucessivas tentativas falharam, até o ponto em que padre Reitz considerou a desistência. Mas Valdemiro recusou-se a jogar a toalha. "Ele disse: por favor, me manda (as sementes) só mais uma vez".

A insistência produziu um magnífico resultado após a aclimatação em etapas, primeiro realizado o trabalho no Rio de Janeiro para depois seguir para Indaial. "Ele estava eufórico quando tudo deu certo".

Momentos de grande emoção

Idáuria revela que por dois momentos o marido demonstrou profunda emoção: quando recebeu o título de cidadão honorário de Indaial e no dia em que a aclimatação da vitória-régia completou 25 anos. "As homenagens prestadas a ele nestas duas ocasiões o deixaram profundamente feliz. É por este motivo que sempre falo: homenagens não devem ser feitas após a morte de alguém, mas sim em vida, para que a pessoa possa sentir aquilo".

Ela pegava no pesado ao lado dos funcionários no momento de tirar os projetos do papel. Além disso, as mudas produzidas por ela e pelo marido, um empreendedor nato, abasteciam todo o sul do país.

Nenhum arrependimento

Idáuria e Valdemiro abriram mão de muitas coisas para construir a vida juntos. Ele deixou a cidade de Laurentino para trás. Ela abraçou a profissão dele convivendo com os momentos de ausência e, disto tudo, não sobraram arrependimentos. "Antes de morrer ele pegou na minha mão e disse: eu não me arrependo", conta com lágrimas nos olhos. Assim também, revela: "apesar dos desafios do trabalho, nunca fomos dormir brigados. Tivemos nossos filhos, que amo demais e uma vida muito boa".

No auge de seus quase 81 anos, Idáuria é uma mulher ativa e de sorriso fácil, que não apenas guarda na memória momentos importantes da história de Indaial, como também foi protagonista deles. Para finalizar, ela tem um recado: "é preciso realizar os cuidados necessários para com as vitórias-régias do município, caso contrário, as futuras gerações podem não mais ter a oportunidade de ver a planta em frente à Prefeitura (único local público onde ela ainda está disponível, já que as plantas aquática expostas na Fundação Indaialense de Cultura são Niféias, não vitórias-régias)".


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