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Emoção

Arte que vem da alma

08 Março 2018 15:30:00

Sensibilidade em cores e traços é a principal marca do trabalho de Lilian Haase

Foto: Janaina Possamai

INDAIAL - Muito além de uma técnica específica, Lilian Haase, prestes a completar 70 anos de vida, mais de 50 deles dedicados à pintura, busca em sua alma a orientação para os traços que compõem suas telas. As paredes repletas de beleza e cores, transportam o expectador para as paisagens retratadas por ela. Um desavisado pode confundir a casa da artista com uma galeria de artes. Também pudera, ela mesma não abre mão da singularidade de seu trabalho: "alguns destes quadros eu já poderia ter vendido, mas não gosto que a casa fique vazia, sem as pinturas", confessa entre sorrisos.

O que mais gosta de retratar são paisagens, algumas delas de forma tão realista que nos dão a impressão de ter em frente aos olhos uma fotografia. Esta, aliás, uma grande aliada. Costumo fotografar os locais que pretendo pintar, pois a luz muda muito rápido". Quanto à técnica, ressalta, "eu gosto de liberdade, não de ficar presa a um único estilo".

Apesar de ter preferência por pintar paisagens, a tela que Lilian recusou-se a vender retrata um nu artístico, o único feito por ela durante toda a carreira. "Foi em uma exposição, a pessoa queria muito comprar, mas como sempre fui um tanto quanto negociante, sabia que uma amiga pintava nus, então indiquei o quadro dela para que fosse comprado", explica.

O tempero da vida

E foi a pintura em conjunto com as amizades que ajudaram Lilian a sair de um quadro de depressão, enfrentado há cerca de quatro anos. "Perdi totalmente a vontade de pintar. Vendi todas as minhas tintas e não queria mais saber de arte. É um sentimento angustiante, acho que ninguém deveria passar por isso na vida. Aos poucos meus amigos me incentivaram a voltar, retomei o gosto pela pintura e pela vida ao mesmo tempo". Conta ela que atualmente possui uma grande alegria em viver e espalha essa felicidade não só através de suas pinturas, mas também com as diversas turmas de amigos, cada uma com agenda em diferentes dias da semana.

Conhecimento compartilhado

Durante grande parte da vida, Lilian foi professora da Fundação Cultural de Indaial (FIC). Lá, ensinou a centenas de pessoas pintura em tela, pano, vidro, cerâmica, o que mais precisasse. "Sempre gostei de arte, aos 17 anos pintei minha primeira tela e depois tomei aulas de pintura com Beatriz Bona. Já havia feito alguns cursos quando fui convidada a dar aulas, mediante a exigência de ir a São Paulo para uma semana de aulas intensivas. Aceitei e a partir daí não parei mais". Foi em 1990 que ingressou na FIC, onde permaneceu até a aposentadoria, há cerca de 10 anos. De lá, traz boas lembranças e saudades de um tempo repleto de belezas. "A FIC não possuía apenas classes de pintura, mas também de dança, música, teatro, então você respirava aquele ar o tempo todo. Senti muita falta quando saí, era maravilhoso".

Uma extensão de Lilian

A artista conta que nunca sentiu dificuldade para vender suas telas, mas que atualmente não participa mais de exposições. Das telas que pintou, guarda diversos álbuns de fotos, assim também convites para exposições, registros dos momentos passados ao lado dos amigos e artistas indaialenses e recordações da família. Com carinho, folheia as páginas repletas de história. Parando vez ou outra para pontuar a quem as telas pertencem atualmente. "Gosto que minha arte esteja espalhada por aí. Pinto aquilo que gosto, apenas. Não pinto pessoas, não tenho hábito de pintar casas antigas, tenho uma ou duas. Até mesmo invento, para criar cartões em feiras. Não é nada técnico, é apenas o meu jeito. Cada um tem seu estilo, este é o meu".

Atualmente, Lilian não possuiu mais um ateliê em casa, mas inúmeras ideias na cabeça. Ela mostra as paisagens as quais pretende dar vida com suas cores suaves e, mais do que tudo, mostra um profundo respeito pelo trabalho dos colegas, humildade ao falar de si mesma e um imenso amor pela vida.


Imagens


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