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História de amizade e paixão pela botânica

Valdemiro Nasato e padre Raulino Reitz, depois de muitas tentativas, conseguiram aclimatar a vitória-régia em Indaial, que há 43 anos embeleza a praça da Prefeitura

Amanda Bittencourt

INDAIAL - Passar pela praça da Prefeitura e não admirar as vitórias-régias que há 43 anos embelezam o local é quase impossível. Nunca alguém imaginou que uma planta nativa da região amazônica pudesse se desenvolver aqui em Indaial, com clima totalmente diferente. Mas esse feito só foi possível depois de muitos estudos e testes, realizados pelo padre e botânico Raulino Reitz (1919-1990), considerado o Patrono da Ecologia Catarinense, em conjunto com o preservacionista Valdemiro Nasato (1936-2003). 

A história da implantação da vitória-régia no município começou em 1960, quando surgiu a amizade entre o padre Reitz e Nasato. Os dois perceberam que tinham algo em comum: a botânica. Na época, pouco se falava em ecologia e a movimentação a favor da defesa do meio ambiente no Brasil, o que seguia a passos lentos.

De acordo com documentos disponibilizados pelo acervo do Arquivo Histórico Municipal Theobaldo Costa Jamundá, Nasato disse que a idéia de tentar aclimatar a planta no sul do país aconteceu quando o padre Reitz, em visita à sua casa, mostrou algumas fotos da vitória-régia na Amazônia e contou que já haviam sido feitas algumas tentativas para adaptar a planta ao clima da região, mas com resultados negativos. Nasato, que antes a tinha visto apenas por fotos, despertou a vontade de vê-la de perto. Assim iniciou o desafio da aclimatação.

Em 1968, este processo foi iniciado em Indaial. O padre Reitz disse que iria nos próximos dias para o Amazonas, participar de um trabalho científi co sobre plantas, e de lá traria as mudas da vitória-régia. Enquanto isso, Nasato ficou preparando o tanque, fazendo a mistura do lodo na água, com plantas aquáticas submersas, controle de Ph e N.P.K., e diversos outros procedimentos.

Era Primavera em Indaial quando Reitz chegou com as plantas, as quais foram plantadas. Mas mantiveram-se vivas até meados do Inverno sem desenvolverem-se, depois desapareceram. Nos primeiros anos as tentativas não deram certo e as plantas sempre morriam com a chegada do Inverno. Até foi desenvolvido um sistema de aquecimento do tanque, sendo utilizado um aparelho chamado "rabo quente". Durante as noites frias, o relógio despertava a cada duas horas para que o tal aparelho fosse ligado, mesmo assim não deu certo. Um sistema de termostato também chegou a ser adaptado, mas ainda assim as tentativas falharam. Reitz sugeriu então que eles desistissem da ideia. Mas Nasato disse para tentarem uma última vez.

Nesta época, padre Reitz era diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e enviou sementes da vitória-régia de lá. Todas as outras tentativas anteriores foram feitas com sementes vindas diretamente da Amazônia. Nessa última tentativa, foram utilizadas estufas de polietileno ao invés dos tanques de água aquecida. Dessa forma, todo o ambiente ficou aquecido. Além disso, outros tratamentos especiais foram realizados para que dessa vez a experiência desse certo. Em 8 de fevereiro de 1976, a dupla obteve êxito e a vitória-régia foi finalmente aclimatada em Indaial. "Graças a Deus, valeu o sacrifício e a dedicação", destaca Nasato no documento disponibilizado pelo Arquivo Histórico, o qual foi escrito depois, em 1997.

No ano seguinte, a planta foi colocada em exposição pública pela primeira vez, sendo instalada em um tanque na praça João Hennigs Filho, em frente à Prefeitura. Na época, Victor Petters era o prefeito. Desde então, a vitória-régia se tornou um dos símbolos da cidade. Em 8 de fevereiro de 2002 foi inaugurado neste local o Monumento à Vitória-Régia.


A vitória-régia

Caracterizada por possuir uma grande folha em forma de círculo, que fica sobre a superfície da água, e pode chegar a ter até 2,5 metros de diâmetro e suportar até 40 quilos se for bem distribuído em sua superfície. Sua flor é de cor branca e abre-se apenas à noite. É originária da região equatorial da bacia do rio Amazonas, no estado do Amazonas.


Exposição

Entre os dias 3 e 13 de junho, a exposição "Raulino Reitz, o Padre dos Gravatás e Patrono da Ecologia Catarinense - uma parceria de sucesso com o preservacionista Valdemiro Nasato", ficou aberta para visitação na Fundação Indaialense de Cultura (FIC). Além disso, uma palestra foi ministrada na ocasião pelo diretor do Herbário Barbosa Rodrigues e estudioso do padre Reitz, Aloisius Lauth e o historiador do Arquivo Histórico Municipal Theobaldo da Costa Jamundá, Luiz Carlos Altenburg.

A exposição irá passar também pelas escolas de Indaial mediante agendamento.

Em setembro, segundo informações do historiador Altenburg, é comemorado o mês do centenário do padre Reitz, a exposição fi cará no sMuseu Municipal Ferroviário Silvestre Ernesto da Silva.




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