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Horta comunitária transforma rotina

09 Agosto 2018 15:30:27

O espaço é o favorito entre as crianças da UEI e já se tornou o xodó de muitos moradores

Foto: Janaina Possamai

INDAIAL - "A gente vai na horta, a gente vai na horta", a alegria se espalha entre os pequenos da Unidade de Educação Infantil Martha Elisabeth Mantau, de Encano Baixo, Indaial. Na curta caminhada até o espaço, a ansiedade só aumenta até que o grande terreno se apresenta e as crianças apressam o passo.

Na chegada, parte delas corre direto para o canteiro de morangos. "Professora, tem um vermelhinho aqui", apontam. Mas os morangos ainda não estão prontos para a colheita. Já as beterrabas estão perfeitas para a salada do almoço e a professora Mireli de Souza Dalaqua encaminha a turminha para lá. Um a um, eles vão colhendo as beterrabas, as maiores causam um: uau... já as menores despertam certa frustração, mas Mireli explica que todas serão preparadas juntas para a salada do almoço.

Logo, as crianças passam também para o espaço destinado às brincadeiras, o momento certo para conversar com os pequenos. TalitaThreiss, de cinco anos, conta que gostou de colher tantas beterrabas. Já a Francine Isabelle Hordina, de seis anos, prefere os moranguinhos, mas conta que adora ir à horta sobretudo para brincar. Essa também é a parte predileta de Juan Victor dos Santos, de seis anos, mas ele diz que gosta bastante de mexer na terra, colher e comer as alfaces. O pequeno Lucas Marley Barata Damasceno, de quatro anos, conta que adora ir ao local e mora pertinho, o que permite que ele vá também acompanhado da mãe. Se há algo em que todos concordam é que o espaço é ideal para brincar Johann Martins da Silva, de seis anos, diz que entre as atividades favoritas no local estão mexer na terra e brincar na lama. Os pequenos também acham muito legal o fato de poder comer aquilo que eles mesmos estão ajudando a plantar e cuidar.

O espaço não é apenas o xodó das crianças, mas de todos os funcionários da UEI e também de muitas pessoas da comunidade, que estão aprendendo como ela funciona.

A diretora da Unidade, Priscila de Souza Radtke, conta que o projeto iniciou em março do ano passado. "A ideia partiu daqui de dentro, com o objetivo de construir algo que pudesse envolver toda a comunidade".

Apoio

Priscila explica que o passo inicial foi conseguir um terreno que pudesse ser utilizado para o plantio. "Este papel foi desempenhado pela mãe de um aluno que é nossa parceira. Temos livre arbítrio para fazer o necessário, em contrapartida, colaboramos mantendo o espaço organizado.".

Ela conta ainda que existe uma grande parceria com as secretarias de Obras e Agricultura, que ajudaram na limpeza e organização dos canteiros e no repasse de técnicas de cultivo que pudessem ser utilizadas. "Não utilizamos nenhum tipo de agrotóxico", revela. O plantio começou em meados de agosto do ano passado, o que já possibilitou a colheita de muitos aipins, alface, beterraba e diversos temperos para serem utilizados tanto pela UEI quanto por toda a comunidade. "Este é o sentido da horta comunitária, todos podem consumir e também todos devem ajudar a cuidar".

Segundo Priscila, em pouco mais de um ano, o entendimento de como a horta deve funcionar avançou bastante dentro da comunidade, mas ainda é preciso avançar bastante.

Esta transformação chegou com mais força às famílias das crianças e aos vizinhos. "Muitos pais passam aqui e nos avisam que irão lá colher algumas coisas com as crianças. Os vizinhos nos fornecem água e ajudam também a cuidar, pois colhem muitas coisas no local", conta.

Espaço para se soltar 

A professora Mireli explica que na UEI o espaço para que as crianças possam brincar é limitado. "Eles vem e colhem, trazem mudinhas para plantar, ajudam a regar. Além disso, há espaço para correr e se desenvolver.

Eles amam mexer na terra e estamos organizando um espaço com diferentes materiais para as brincadeiras.

Quando está calor trazemos água e eles brincam mesmo na lama, é muito gratificante a alegria que eles demonstram quando estão aqui", finaliza.

Segunda casa 

Com relação às sementes e mudas, a diretora conta que parte é comprada pela escola ou pelos pais e vizinhos. "É preciso entender que a horta é da comunidade, portanto todos podem colher, mas também todos precisam ajudar a plantar e manter", diz a diretora.

Por enquanto o espaço ainda permanece trancado durante a noite e sempre tem um responsável que cuida do local, inclusive durante as férias.

Até o momento um dos que mais estão envolvidos com os cuidados da horta é o zelador, EdésioSimardi. Para ele, o local transformou completamente a comunidade. "Agora se transformou na minha casa, tenho orgulho do que construímos aqui, tanto que chego a ter ciúmes", diz em meio a uma risada.

Simardi precisa se afastar por um período devido a uma licença de saúde, mas já designou uma pessoa para assumir o papel. "Vamos trabalhar para deixar ainda mais bonito".


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