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Cabide solidário

Roupas no cabide, alívio no bolso

20 Julho 2018 08:00:00

Projeto une economia, espírito de equipe e solidariedade

Foto: Janaina Possamai

INDAIAL - Responda honestamente: quantas das peças que estão em seu guarda-roupas não são mais utilizadas? Agora uma segunda pergunta: você precisa de novas peças de roupas? As respostas a estes questionamentos são as mesmas para a maioria das pessoas: sim!

No entanto, comprar roupas com frequência pesa no bolso, ainda mais nesta época de orçamento restrito. Então, por que não organizar um "cabide solidário"? A técnica de segurança do trabalho, Patrícia Regina da Silva se fez esta mesma pergunta a menos de uma mês. Mas não se contentou em ficar só na suposição, arregaçou as mangas e pós a ideia em prática.

Patrícia explica que o problema gerador desta ação foi a falta de uniformes. "Não podemos doar uniformes para todos e há setores onde as roupas estragam mais fácil. Então pensei ser uma boa ideia organizar um cabide solidário. Fui questionando a eles também se tinham filhos e vi que as idades diferentes batiam, já que roupa de criança é aquela coisa: são caras e você não consegue usar por muito tempo".

O passo seguinte foi buscar a aprovação da diretoria, uma tarefa que tornou-se fácil. "Não precisei de muito tempo para pensar, imediatamente abraçamos a ideia", diz o diretor executivo, Anilvo de Sousa. Ele explica ainda que participa de um grupo que organiza ações solidárias, as quais considera vitais. "Em outras épocas já tivemos ações desta natureza, mas como todas as empresas brasileiras, sofremos com a economia e tivemos que reduzir. Agora a ideia da Patrícia veio despertar novamente este anseio. Temos diversas coisas em casa e se alguém não provoca a reflexão, ficam jogadas dentro de um armário mofando enquanto outras pessoas estão passando frio", instiga. Sousa revela ter se impressionado com o volume de peças trazidas pelos colaboradores. "Espero que esta seja a primeira de muitas".

Mãos à obra

De acordo com Patrícia, a pretensão inicial era de que as peças ficassem expostas na sala dela, mas o espeço se tornou pequeno e ela teve que alocar em um espaço maior. Para dobrar, separar e colocar todas as peças de roupas, sapatos e assessórios, muitos voluntários colaboraram. "De todos os setores, o pessoal vinha aqui na hora do almoço e nós organizávamos tudo. Realmente não fiz nada sozinha, foi um trabalho de equipe e isso me deixa muito feliz, pois todos abraçaram a ideia e contribuíram de alguma forma".

A líder de Recursos Humanos, NelitaSchmitz, revela que a empresa já tinha tentado fazer uma ação deste tipo, mas não houve sucesso, o que foi diferente agora. "A Patrícia lançou a ideia e conseguiu envolver muitas pessoas, todos foram se empolgando e se envolvendo.

Pretendemos continuar com o projeto durante todo o ano, logo muda a estação e geralmente damos mais um renovada no guarda-roupa, então o que pretendemos é que da mesma forma o nosso cabide solidário vá se renovando, assim vamos contribuindo com quem precisa".

"Se tem sobrando traz, se precisa pega"

Era esta a frase que Patrícia mais dizia pelos corredores da empresa. "Foi uma explosão, logo no primeiro dia surgiram aqui duas sacolas enormes. Também por conta do espaço tem pessoas que trarão depois, então ainda tem muita coisa para chegar".

No primeiro momento cada funcionário pôde escolher uma peça, depois que todos os que desejavam tiveram esta oportunidade, mais peças foram sendo disponibilizadas para garantir oportunidades similares a todos. Além de poder escolher para si, era permitido levar peças para os filhos e cônjuges.

A auxiliar de produção Anelise Couto, sabe bem como é difícil a fase em que as crianças mudam constantemente de manequim. "Tenho uma filha de oito anos. Nós sabemos que as roupas para crianças deixam de ser usadas enquanto ainda estão praticamente novas. O cabide solidário vai ajudar bastante, achei esta ideia muito bacana. Se você não está usando pode dar para outra pessoa que precisa".

Quem também aprovou a iniciativa foi Marilene dos Santos Nascimento, que trabalha com inspeção e acabamento. A primeira peça escolhida por ela foi um casaco. "É uma ideia excelente, amei esse casaco que escolhi, estava precisando de um casaco mais quentinho", comemora.

Mudança no clima 

A empresa em que a ação está acontecendo é a Dicarlo, de Indaial. Sousa destaca ser importante que esta ação se espalhe para outras empresas. "Ajudar e envolver as pessoas em torno de uma causa melhora muito o espírito da equipe. Gera até mesmo algumas brincadeiras saudáveis. Na correria do dia a dia e com as dificuldades enfrentadas, é preciso que haja espaço para um momento de descontração e também para ajudar".

Patrícia revela que já ter vários projetos em mente, muitos deles para manter acesa esta chama que movimentou a equipe durante as últimas semanas. "Estamos pensando em Dia das Crianças, Natal, gincana organizada rumo a Sipat com muitas provas sociais. Enfim, há várias coisas em mete e eu até já falei com a diretoria novamente", revela animadamente.

Para além dos portões da empresa 

O projeto não ajudará apenas os funcionários da empresa, mas também a comunidade. "Depois de um período as peças que permanecerem aqui, ou seja, não servirem para nenhum de nossos funcionários ou familiares, serão separadas e encaminhadas a intuições da cidade que precisem de doações. Por enquanto não temos aqui cobertores, por exemplo, mas no momento em que abrirmos para levar à comunidade, podemos pensar em arrecadar também estes materiais para doação", pondera Patrícia. 

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