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Avaliação dos governos federal e estadual

Ex-governador Jorge Bornhausen avalia trabalhos de Jair Bolsonaro e Carlos Moisés

Foto: Murici Balbinot
Ex-governador Jorge Bornhausen

FLORIANÓPOLIS - Aos 82 anos, Jorge Bornhausen ainda está em plena atividade profissional. Trabalha em São Paulo como consultor político e conselheiro de algumas empresas, além de atuar com compra e venda de empresas. Mesmo sem qualquer ligação partidária, ele é dono de um conhecimento acumulado em diferentes cargos legislativos e executivos e continua sendo procurado por lideranças estaduais e nacionais para análises de conjuntura, opiniões e orientações. 

Admirado pelos aliados e respeitado pelos adversários, Bornhausen é fonte habitual para a imprensa. Ele recebeu a reportagem da Associação de Diários do Interior (ADI-SC) e da Rede Catarinense de Notícias (RCN) em seu apartamento. Avaliou o governador Carlos Moisés e o presidente Jair Bolsonaro e decretou: "Direita e esquerda não existem. Existem direita radical e esquerda radical. Isso não é bom para o país".

ADI-SC/RCN - Qual é a sua avaliação sobre o Governo Moisés?

Jorge Bornhausen - Acho que é muito cedo para fazer uma avaliação sobre o governo. O governador ganhou uma eleição que não esperava, não tinha se preparado para isso. Não conhecia bem o Estado e os seus problemas. Não tinha intimidade com a classe política e não foi audacioso na composição das suas escolhas para o governo. Fez uma equipe de colegas e amigos e está aprendendo no curso do mandato.

Seria uma injustiça fazer uma avaliação com quatro meses e meio de governo sobre os resultados obtidos até agora. Vamos aguardar. Não é uma tarefa fácil. Nós vivemos um momento muito difícil no país. A recuperação só virá realmente se houver a reforma da Previdência.

ADI/RCN - O senhor fala que o governador Moisés não teve ousadia, mas o que ele poderia ter feito de diferente, uma vez que não veio do meio político?

Bornhausen - Ele não se elegeu em função de aliança e nem de partidos. Portanto, poderia fazer uma equipe de alto nível técnico, que era o caminho esperado, pelo menos por mim, que nele votei no segundo turno, por exclusão. Acho que a ousadia é procurar conhecer quem sabe mais que você em cada setor e trazer para dentro do governo pessoas que tenham grande experiência e que já sejam conhecidas nacionalmente. Há vários nomes em Santa Catarina, fora da área política, que têm prestígio até internacional. Da área técnica, da área empresarial, da área educacional. Eu achei que ele tomaria esse caminho, mas ele preferiu fazer uma equipe doméstica.

ADI/RCN - No cenário nacional, como avalia o presidente Bolsonaro e seu governo?

Bornhausen - Eu acho que é um governo diferente. Parecido com a nossa famosa Orquestra Desterrense: muitos músicos e cada um tocando em seu instrumento a música que preferir. Há setores muito bem dirigidos, como o do economista Paulo Guedes. Eu destaco como uma pessoa que tem agido de forma rápida e correspondido, a ministra da Agricultura Tereza Cristina. O ministro do Meio Ambiente que está desmontando os obstáculos ao crescimento do setor agropecuário, Ricardo Salles. Mas há os que destoam. Nós estamos vendo que não deu certo o primeiro ministro da Educação. Acho que o grande problema do Bolsonaro são seus filhos e o Olavo de Carvalho, que atrapalham mais do que qualquer oposição organizada. E enquanto ele não botar ordem na casa, é difícil o relacionamento com a imprensa e com o Congresso. Por isso, na área Legislativa é um verdadeiro iô-iô. Vai e volta.Já perdemos bastante tempo por falta de habilidade do próprio presidente da República.Eu gostei muito de uma entrevista dada em Nova Iorque, pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, em que ele afirmou que a reforma da Previdência será aprovada mesmo com o governo atrapalhando. E também conheço bem o deputado Samuel Moreira, que é o relator da Comissão Especial. É um parlamentar exemplar. Homem paciente, conciliador. Não poderia ter havido melhor escolha. Esses são os pontos que eu acho favoráveis para que a reforma ocorra, mesmo com o governo atrapalhando.

ADI/RCN - Tanto o governo estadual quanto o federal são comandados pelo PSL. Quais são as diferenças e semelhanças entre o governo Moisés e o governo Bolsonaro?

Bornhausen - O Moisés leva vantagem sobre o Bolsonaro porque não fala. E por isso não atrapalha seus colaboradores. O Bolsonaro foi ousado em determinadas escolhas, o Moisés não foi. A escolha do Paulo Guedes, que eu conheço bem, foi ousada e acertada. Este é o exemplo que eu daria, o que não vem a ocorrer em Santa Catarina. Agora, o fato do Moisés falar pouco ajuda o governo dele. O fato do Bolsonaro e a família falarem muito, atrapalha o governo dele. Neste ponto o Moisés ganharia.

ADI/RCN - Bolsonaro chega ao final do mandato?

Bornhausen - Espero que sim. É melhor para o país não ter nova crise institucional. No momento não vejo um risco maior de instabilidade. Lamento é que em tão pouco tempo de governo esse assunto passe a ser ventilado. Mas, para o presidente sair antes do final do mandato, precisa haver um motivo jurídico. E não há. O problema é que o Bolsonaro tenta imitar o Trump.

Foto - Murici Balbinot

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