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Camasão afirma que vai combater privilégios, mordomias e corrupção

26 Setembro 2018 17:23:00

Candidato ao governo do Estado pelo PSOL defende que a Segurança Pública deve ser tratada com inteligência e investigação: crime organizado não se resolve com gás lacrimogêneo

Foto: Murici Balbinot

Leonel Camasão é mestre em jornalismo pela UFSC e dirigente do Sindicato dos Jornalistas. Em 2012, foi candidato à prefeitura de Joinville, maior cidade de Santa Catarina. Em 2014 disputou uma vaga na Assembleia Legislativa. Camasão integra a série de entrevistas do projeto Cobertura Eleições SC 2018 - Jornais Impressos e Digitais, que está sendo realizado em parceria pela Associação dos Jornais do Interior (Adjori/SC) e pela Associação de Diários do Interior (ADI/SC).

Jornais Adjori/Adjori - Qual a sua prioridade se for eleito? 

Camasão - A primeira questão é uma decisão política que o atual governador e seu antecessor tomaram em relação ao cumprimento da PEC das Aposentadorias dos ex-governadores e viúvas. Foram 11 anos de batalha na Assembleia Legislativa para aprovar essa PEC, para agora Raimundo Colombo e Pinho Moreira decidirem ter outro entendimento da lei. Eles entendem que seria um direito adquirido e que a nova regra só vale daqui para frente. Ou seja, todos os ex-governadores que já recebem aposentadoria, continuam recebendo e eles também. Sabemos que do ponto de vista do recurso financeiro não vai ser a salvação da lavoura. Mas, no cenário caótico da atual política, é importante dar o exemplo. O nosso programa compreende essa questão de combater privilégios, mordomias e a corrupção. Então isso seria uma primeira medida simbólica. Para além disso, queremos rever profundamente a questão dos benefícios fiscais concedidos em Santa Catarina. Porque não é razoável que a gente deixe de cobrar impostos mais do que é investido em Educação. Entendemos que é preciso dar transparência para as isenções fiscais. Isso precisa estar na internet, no portal, explicando o motivo da isenção.


Adjori/Adjori - O que você pensa sobre a privatização?

Camasão - Temos um entendimento de que os governos até aqui eram eleitos com o dinheiro da iniciativa privada, e uma vez eleitos, para quem eles governam? Para esses caras! Então, a questão da dívida pública e de não 'conseguirem' pagar as despesas do governo é intencional, é um projeto de governo. Você quebra o Estado, os serviços públicos param de funcionar e qual o próximo passo? A privatização. Mas para o PSOL, água, energia, gás, petróleo, nada disso se vende. É patrimônio público.

Adjori/Adjori - Qual a área que o senhor acha que precisa de um trabalho mais urgente?

Camasão - Eu diria que são muitas, porque a situação do Estado é calamitosa. Costumo dizer que o MDB quebrou o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Sul, o Brasil, e está para quebrar Santa Catarina. Nós entendemos que é difícil eleger um tema, então elegemos pelo menos três, que são serviços públicos que precisam ser reestruturados: saúde, educação e segurança.

Temos uma saúde que está sendo terceirizada, que tem meio milhão de pessoas na fila esperando um exame, e que as pessoas continuam pegando o carro da prefeitura e trazendo os pacientes do interior para cá. Precisamos descentralizar os serviços de Saúde, aumentar os investimentos do SUS e combater a terceirização, que para gente é uma porta e entrada para a corrupção.

Adjori/Adjori - Sobre educação...

Camasão - Na questão da educação, precisamos desfazer as maldades que o atual governo estadual fez. Fecharam 58 escolas, entraram na Justiça para não pagar o piso salarial dos professores e, depois de perderem na Justiça, destruíram a carreira com uma política que não dá valor à qualificação e à formação continuada. É uma questão de inverter as prioridades e botar o dinheiro onde interessa. E, mais do que isso, precisamos também combater esse negócio de Escola Sem Partido. Isso é uma insanidade. Apesar de ser uma questão municipal, nós podemos, enquanto governo do Estado, causar constrangimento aos municípios para que não aprovem esse tipo de lei.

Adjori/Adjori - O senhor também citou a área de Segurança...

Camasão - A segurança pública é um tema que está em voga, e tem candidato que bate na mesa dizendo que vai resolver tudo trazendo os policiais da reserva. Segurança é um assunto sério, com soluções de médio prazo, que precisa de investimento e inteligência. Santa Catarina deixou de entregar dez mil laudos policiais porque o IGP está atuando com 40% do seu efetivo e não se faz concurso público e nem se chama quem passou em concurso público há dez anos. Não basta bater! Tem que ter inteligência. Nosso governo vai investir em inteligência para que a gente resolva o crime, porque crime organizado não se resolve com gás lacrimogêneo, se resolve com inteligência.

Adjori/Adjori - Sobre geração de emprego e renda, quais medidas?

Camasão - Uma questão fundamental e que está abandonada pelo governo do Estado é a geração de emprego e renda relacionados à cultura. Só o setor audiovisual movimenta a economia brasileira mais do que o turismo e a indústria têxtil. Um relatório da Fiesc (Federação das Indústrias) mostra que quase 90% dos empregos gerados nesse setor são em micro e pequenas empresas. Para se ter uma ideia, seis das principais animações que passam em canais de TV a cabo são produzidas aqui, em Blumenau. E não se tem um investimento nessa área de cultura que tem um potencial enorme na área de geração de emprego.

Adjori/Adjori - Como convencer os eleitores catarinenses a votarem em um jovem, semsobrenome tradicional e ainda de esquerda? 

Camasão - Eu acredito que o fato de não ter um nome tradicional, não ser filho de político, não ser um mega empresário não é um defeito, é um trunfo. Porque nós sabemos que os governos feitos por essas pessoas deram errado. Agora, nós estamos na disputa justamente para dialogar e mostrar que é possível fazer diferente. Sabemos que é difícil, que existe muito preconceito, mas um fato concreto é: o melhor deputado federal do Brasil é do PSOL. O PSOL é o único partido com representação no Congresso Nacional que não foi citado na Operação Lava Jato. Nós lutamos contra as medidas do Michel Temer, que são as mais reprovadas do Brasil.As pessoas podem não concordar com tudo que o partido pensa, mas não podem nos chamar de bandidos e nem dizer que o nosso projeto não é coerente com aquilo que a gente acredita. O que eu tenho a dizer para convencer as pessoas é que o nosso projeto é de verdade, nós escrevemos e acreditamos nisso. E dormimos todas as noites com muita tranquilidade porque não devemos nada para ninguém.



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